Experiências de uma criança que vive entre culturas

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“Mãe, você tem alguma história de infância que não seja de Papua Nova Guiné?” perguntam meus filhos.

Lembranças maravilhosas

Pouco antes de completar meus 7 anos, meus pais responderam a um pedido urgente de professores para uma pequena escola FMs em Tari, nas terras altas do sul de Papua Nova Guiné. Lembro-me muito pouco das semanas que antecederam a partida, mas parece que compensei isso com uma infinidade de lembranças dos próximos três anos. A vida no pequeno complexo cercado de pastos verdes era para as crianças, maravilhosa. Ter outros FMs morando ao lado me proporcionou companheiros de brincadeira constantes. As amizades que foram forjadas durante esses anos foram profundas e duradouras. Tínhamos liberdade para brincar ao ar livre – criar novos jogos ou apenas desfrutando de serem crianças.

Vivendo o que muitos só conhecem na TV

Havia também outras grandes delícias de ser um FM em Papua Nova Guiné: ter nosso próprio arco e flecha de verdade, criar galos e receber encomendas da Austrália. Minhas irmãs e eu só estávamos interessadas ​​em uma coisa – quantos pirulitos estavam dentro! Lembro-me perfeitamente da vez em que um pacote de curry em pó derramou dentro da caixa e empregnou em todas as coisas; que decepção! Eu nunca vou esquecer também, passeios que envolviam caminhar pela lama até os joelhos para ter acesso a um lindo lago no meio do nada onde costumavamos ir nadar.

Mesmo os comprimidos de vermes obrigatórios não eram problema para nós depois dessas viagens de um dia! Embora eu sentisse falta da nossa família extendida, especialmente nos aniversários e no Natal, eu apenas gostava do novo estilo de vida e o aceitava como normal… Tenho certeza que isso se deve em grande parte ao fato de que mamãe e papai nos proporcionaram um lar estável e seguro para nós em Tari, assim como na Austrália. Essa parte da minha vida não mudou.

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Jenny com sua familia caminhando na lama à caminho do lago

As constantes despedidas

As maiores desvantagens de ser um FM para mim, foram nos despedir dos amigos e deixar definitivamente Papua Nova Guiné. Pessoas indo e vindo é uma realidade constante da vida entre cultura. Não tenho certeza se fica mais fácil, especialmente quando as despedidas são ofuscadas por não saber se nos encontraremos novamente.

A nossa tristeza de deixar Paupa Nova Guiné durou anos. Meu pai ficou muito doente durante nosso último ano lá e teve que ser evacuado de urgência. Ele nunca mais voltou para Tari e eu me lembro de chorar uma noite quando percebi que ele nunca mais ouviria o som maravilhoso do tanque de água da chuva transbordando. Mas uma parte duradoura dessa memória são as palavras com as quais mamãe me confortou, garantindo-me que Deus nunca me faria passar por nada mais do que eu pudesse suportar.

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Exemplo de gratidão

Quando eu era criança nunca pensei por um segundo nos inconvenientes de não ter água quente ou telefone e ter que fazer compras a cada três meses para entrega por caminhão. Essas “privações” não faziam parte da minha realidade. Um amigo recentemente me perguntou por que eu achava que minha experiência com FM tinha sido tão positiva. Respondi que em parte era porque nunca ouvi meus pais reclamando dos desafios da vida em Tari. A resposta positiva deles à nossa nova vida ajudou a moldar a minha.

FM sendo mãe de FMs

Agora é minha vez de ser a mãe do FM. É incrível a perspectiva diferente que isso traz. Sem água quente encanada, cortes de energia, interrupções constantes e sujeira é agora uma parte diária da minha realidade e lamento dizer que meus filhos não poderão afirmar que nunca me ouviram reclamar! Nossa viagem para a África Ocidental envolveu primeiro um ano na França, onde nossos filhos foram lançados bruscamente em escolas públicas francesas.

Filho de Terceira Cultura
Jenny com seus pintinhos em Papua Nova Guiné

Não há como negar o custo para eles nesse processo; tantas noites de lágrimas sem fim e sem solução terrena. No entanto, as recompensas por esse sacrifício já são evidentes à medida que testemunhamos sua fé crescer e amadurecer. A vida na África Ocidental também envolve saudades de casa que parecem não ter limites e a dor contínua de perder amigos. Nós nos apegamos a versículos como Lamentações 3: 32,33 e 1 Pedro 1:6,7, finalmente, certos de que o custo de levar o Evangelho a outras terras não é muito grande quando visto à luz da eternidade.

Ser um FM como um privilégio

“Na maioria das vezes a alegria está entrelaçada com a dor e renunciar a um, é também renunciar ao outro”

Eu não me arrependo nem por um momento de ser um FM ou criar meus filhos como FMs. Eu penso que crescer como um FM muda você? Sim! Provavelmente nunca me sentirei inteiramente “em casa” em qualquer lugar pelo resto da minha vida e muitas vezes sofro pelos amigos e pelos países que deixei para trás. Também sofro essas coisas por meus filhos, e não há como remediar. Mas também sei como FM e como mãe de FMs, que na maioria das vezes a alegria está entrelaçada com a dor e renunciar a um, é também renunciar ao outro. E assim, aguardo com esperança, um dia, ouvir meus filhos presenteando seus filhos com suas próprias histórias da África Ocidental.

Jenny Doust, é um FTC adulto, nasceu na Austrália e viveu uma parte da sua infância como FM em Papua Nova Guiné. Hoje serve ao Senhor juntamente com seu esposo e quatro filhos na África Ocidental.

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