No ritmo dos mais frágeis

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Aprendendo a considerar as necessidades dos nossos filhos

Jacó, porém, lhe disse: “Meu Senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.”

Genesis 33:13

Vivemos um tempo em São Paulo, servindo entre os migrantes e auxiliando a igreja na área de missões no bairro do Bom Retiro. As idas e vindas eram constantes. Para chegar até nossa casa em Santana, era necessário subir uma ladeira íngreme, a qual se tornava uma verdadeira penitência nos dias em que estávamos mais cansados.

Nos dias de atividades intensas na igreja, tudo o que queríamos era chegar logo em casa para descansar. No entanto, nos acompanhavam fielmente, nossos filhos preciosos. O maior, com seus passos lentos, ainda que algumas vezes no ombro, subia a ladeira da rua Voluntário da Pátria tagarelando e feliz, devagar, quase parando. Quanto ao mais novo, ainda era empurrado no carrinho até seus dois anos e meio. Não tínhamos como os apressar, nós deveríamos andar no ritmo deles.

Isso me remete a um percurso na trajetória da vida de Jacó. Ele saiu da casa de seus pais, fugindo com medo de ser morto por seu irmão gêmeo, Esaú, por ter-lhe roubado a benção da primogenitura. Passaram-se mais de vinte anos sem retornar ao seio de sua família.

Podemos imaginar a ansiedade por esperar esse momento. Após ser atormentado pelo pavor da possibilidade de seu irmão vingar-se, Jacó agora estava diante de Esaú, o qual o recebeu de braços abertos e de forma calorosa. O encontro foi emocionante, um  novo começo despontava pela frente.

Esaú se dispõe a acompanhar Jacó, com sua família, servos e rebanhos até Seir, onde ele vivia. No entanto, Jacó respondeu dizendo:

“… meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir“. (Gn 33:14)

Estas palavras falam fortemente ao meu coração, porque, na caminhada missionária, o ritmo dos passos, que devem ser dados, deve ser justamente no ritmo daqueles que nos acompanham. No nosso caso, quem nos acompanha são nossos filhos.

As crianças têm seu próprio ritmo. Nós não podemos acelerá-las, mas podemos diminuir a nossa própria marcha para andarmos nos passos delas. Não perderemos nada, se pelos pequenos, nós formos com mais calma na obra missionária. No entanto, podemos perder nossos filhos se andarmos acelerados, desconsiderando suas necessidades, o tempo deles e suas transições.

Jacó já havia percorrido a metade do caminho, mas foi necessário parar, considerando os mais frágeis que o acompanhava.

“Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.” (Gn 33:13)

Entendendo ser necessário dar uma pausa, Jacó se instalou em Sucote, construiu uma casa para si e um abrigo para os animais e no tempo devido mudou-se para Siquem, Canaã e depois a Betel como Deus o ordenou.

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Na nossa jornada como obreiros, já houve momentos que desejávamos nos mover de cidade ou de país, ou realizar determinados trabalhos os quais poderiam colocar em risco o bem estar dos nossos filhos, ou atropelar a fase da vida que eles estavam vivendo. Graças a Deus, podemos parar, perceber suas fragilidades, seus ritmos, suas necessidades e postergar nossas mudanças para um tempo em que lhes favorecia.

Na peregrinação missionária, a trajetória é vasta. Se vamos fazer missões a curto prazo, é evidente que temos pressa para fazer muitas coisas em pouco tempo. Porém, se nosso chamado é para um ministério de carreira, onde dedicaremos toda a nossa vida a obra missionária, devemos andar nos passos dos mais frágeis que nos acompanham, devagar, respeitando suas transições. As mudanças deverão ser feitas com muito critério, sobretudo, sob a direção do Senhor.

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  1. Na sua peregrinação missionária, quem são os mais frágeis que está andando com você? Você percebe que as têm forçado a andar no seu ritmo, ou você tem diminuído a marcha para andar no ritmo delas?
  2. Você tem feito planos apenas considerando seu objetivos pessoais e ministeriais? Ou você coloca como prioridade as necessidades dos mais frágeis que andam com você?
  3. Se você tem encontrado dificuldade de reduzir os passos, dar pausa no meio da trajetória ou mudar os planos por considerar aos mais frágeis, após essa leitura, faça uma oração pedindo ajuda ao Espírito Santo que conceda graça para fazer a vontade dele.

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