Educação Especial – 6 dicas que podem facilitar sua caminhada

side view of child studying at home with the help of tutor

Dicas de uma mãe multicultural experiente na educação de uma criança com necessidades especiais.

Me chamo Monara, sou missionária em Moçambique e mamãe do Benjamin de 4 anos.
Quando Benjamin tinha um ano e meio nós começamos a perceber alguns comportamentos diferentes, mas no meio do preparo pra vir para o campo transcultural, não demos muita atenção. Com dois anos procuramos ajuda profissional e ele foi diagnosticado com Autismo.

Esse texto fala sobre educação e as crianças atípicas, ou como denominamos popularmente, especiais. E eu quero deixar algumas dicas práticas de nossa experiência que tem resultado em uma caminhada mais leve.

1)Não ignore suas percepções

A primeira dica se refere ao que já compartilheir cima. Se você tem observado alguma característica diferente na sua criança, procure ajuda. Quanto antes a gente descobrir, melhor. Isso não vai mudar nosso filho, ele vai ser o mesmo com ou sem o diagnóstico, o que vai mudar é a forma que vamos lutar por ele pra que ele seja feliz e seguro no seu desenvolvimento.

No nosso caso, entramos em contato primeiro com uma neuropsicopedagoga do Brasil, ela fez a avaliação e nos encaminhou pra outros profissionais, que tivemos que correr atrás aqui. Foi cansativo mais deu certo. Se você não encontrar uma psiquiatra infantil ou neuropediatra onde você está, recorra a sua terra natal, hoje em dia a tecnologia ajuda bastante.

A partir daí começaram novos desafios, preocupações, inseguranças, que temos que vencer uma a uma. Mas aí vem a segunda dica:

2) Conheça os desafios e necessidades do seu filho

Esteja perto, observe, faça testes, peça ajuda.
No começo a gente fica meio perdido mesmo, então procuramos alguns amigos que trabalhavam nessa área pra nos aconselhar, e a indicação foi colocar o Ben numa escola pra ajudar na interação e comunicação.

E como somos brasileiros, nossa língua mãe é o português e do país em que estamos também. Assim a orientação foi colocar em uma escola em português.
Também sabíamos que seria muito importante pra ele fazer algum tipo de terapia.
Passamos a escolher os brinquedos que fossem divertidos, mas que pudessem estimular o desenvolvimento dele e tantas outras mudanças na nossa rotina.
Uma dessas mudanças foi a terceira dica:

3) Pesquise no lugar em que você está como suprir as necessidades da criança

Gastar tempo procurando o melhor para nossos filhos é um investimento.
Aqui, ainda que a lei proíba, algumas escolas permitem que o professor corrija fisicamente o aluno. Então eu precisei correr atrás das escolas locais que não tinham essa prática.
Rodei muitas clínicas e hospitais na nossa cidade e em outras procurando médicos e terapeutas.

Precisei de muita paciência pra encontrar alguém que pudesse cortar o cabelo do Benjamin, já que ele tem muita sensibilidade na cabeça.
Mas em tudo isso eu vi a mão de Deus nos guiando e guardando o nosso coração. Uma hora, depois dessa correria, as coisas vão se acalmando.
No fim, conseguimos tudo, talvez não sejam as melhores opções, mas são as disponíveis.

kid playing with cubes

4) ESTUDE!

Pesquise sobre o tema, leia artigos, assista vídeos, entenda os termos, aprenda técnicas para lidar, conheça mais sobre o desenvolvimento humano, encontre materiais disponíveis pra você usar em casa e tudo mais que estiver envolvido com a necessidade do seu filho.

Aqui em Moçambique por exemplo, essa questão do autismo e acompanhamento ainda é muito recente e pouco explorada. As professoras das escolas aqui, por mais dedicadas e carinhosas que sejam, não sabem lidar ou estimular corretamente o aluno especial. E essa defasagem eu tento suprir em casa da maneira que eu posso. Tem época que as paredes são cheias de cartões colados pra ajudar na comunicação, impressões de muitos materiais, técnicas para o desfralde.

“Isso é bom, vamos tentar”! “Amor, assiste esse vídeo aqui.” “Eu comprei esse brinquedo pra ajudar na coordenação motora” “Isso não deu certo agora, acho que ele não está pronto, vamos tentar daqui a um tempo de novo.”
Não é pra trazer mais um peso e uma responsabilidade pra nós, pelo contrário, aumentou o nosso tempo de qualidade juntos como família, virou rotina e acabou de tornando divertido.
Além disso surgiu a oportunidade de compartilhar esse conhecimento com outras mães aqui ou pela internet e agora até pra escola, que me pediu para enviar materiais pra que eles se capacitem melhor.

5) Tenha paciência!

Talvez o desenvolvimento dele não vai ser igual nem no mesmo ritmo que os outros coleguinhas da mesma idade, não compare.
Acompanhe o desenvolvimento do seu filho, celebre cada pequena conquista, incentive e elogie a criança.
Ajude a criança a andar, ela não precisa correr, nem você.

6)E o grande final é na verdade o início de tudo: DEUS!

Convide a presença de Deus para caminhar com vocês desde o início da jornada, peça pra ele te guiar, te levar aos lugares e pessoas que você precisa, pra dar sabedoria e força para os pais e para a criança.
Deus é um excelente educador, Ele é didático e sabe lidar com diferentes perfis, peça a Ele para ajudar educação acadêmica e pessoal do seu filho e te ensinar como ser um instrumento de benção na vida do pequeno.
Tenho certeza que Ele vai ouvir e responder.

“Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!”

Mateus 7:9-11

Caso você seja uma mãe multicultural que se identifica com a Monara e está em busca de ajuda , clica aqui: https://mulhermulticultural.com/abraco-cmm/

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