6 Dicas para um Casamento Intercultural Saudável

casal intercultural

Desenvolvendo um relacionamento para toda a vida

Nos artigos anteriores definimos o relacionamento intercultural e de maneira geral discutimos os desafios e alegrias de estar casado com alguém de uma cultura totalmente diferente da nossa.

Quero com esse artigo refletir sobre como obter um casamento intercultural saudável. Antes de mais nada o que seria um relacionamento intercultural saudável? Podemos dizer que é aquele relacionamento em que ambos os parceiros respeitam a cultura e os valores um do outro. Cada parceiro está aberto para aprender e entender a cultura do outro e está disposto a fazer concessões quando necessário. A comunicação é aberta e honesta, e ambos os parceiros estão dispostos a aceitar e abraçar as diferenças entre eles. Além disso, ambos os parceiros estão cientes dos possíveis conflitos que podem surgir devido a diferenças nas normas e valores culturais e trabalham juntos para encontrar uma solução que respeite as crenças e valores um do outro.

No nosso livro ‘Nosso Amor, Nossos Mundos’ * recentemente lançado, fizemos uma serie de perguntas que todo casal deve avaliar antes de casar. O alvo foi ajudar qualquer pessoa, mas principalmente cristãos, a examinar a escolha de um cônjuge que vem de uma cultura ou grupo social diferente de sua própria e motiva-los a viver a vontade de Deus para suas vidas.

Os cristãos creem que o casamento deve durar a vida toda, e partimos do principio de que ambos colocaram essa escolha cuidadosa sob a vontade de Deus. E sendo assim, queremos motivar cada individuo a trabalhar em prol de fazer esse relacionamento funcionar.

Claro que planejar um relacionamento que dure cinco anos seria bem fácil, mas pensar em ficar juntos por 55 anos ou mais, é uma decisão totalmente mais séria. Acreditamos que podemos confiar na orientação de Deus sobre com quem vamos compartilhar nossas vidas, mas nossos desejos e necessidades às vezes nublam essa tomada de decisão. Não somos infalíveis e precisamos ter certeza, tanto quanto possível, que aquele/a que achamos ser nosso/a companheiro/a de vida também é realmente a melhor escolha de Deus para nós.

relacionamento intercultural

O processo de crescimento e desenvolvimento de todos os casamentos depende, em parte, de quão bem somos capazes de nos comunicar em todos os níveis. Nos casamentos interculturais, esse desafio pode, e muitas vezes é, exacerbado pelas dificuldades de comunicação devido a formas fundamentalmente diferentes de pensar que cada um tem que, pelas diferentes tradições e estereótipos culturais (estilo de vida prático) e na maioria das vezes, a falta de fluência (oral, verbal e escrita) na linguagem escolhida para se comunicar por, pelo menos, um dos parceiros (dinâmica de comunicação).

Diante dos desafios acima, quais são as dicas, ou formulas mágicas para um relacionamento intercultural saudável? Na minha opinião tal formula não existe. Porem, após entrevistar muitos casais (aqueles que foram bem sucedidos e outros que infelizmente não conseguiram manter um casamento intercultural) podemos sim, compartilhar 6 dicas para um casamento intercultural saudável (sem ordem de importância ou valor!):

  1. Autoconhecimento: a autoconsciência é, em certa medida, uma base essencial de um casamento. Estar conscientes de sua própria identidade, pontos fortes, sistemas de pensamento, fraquezas e tradições familiares e culturais. Passe algum tempo conhecendo as culturas uns dos outros. Procure aprender sobre as crenças, valores e costumes do outro. Faça perguntas: não tenha medo de fazer perguntas e esteja aberto para aprender. Aprecie a cultura do seu cônjuge e reserve um tempo para explorá-la e experimentá-la juntos.
  2. Ter clareza de seus interesses e objetivos: O casal pode concordar na maioria das áreas essenciais, portanto, há uma boa chance de que as demais áreas de discordância possam ser resolvidas ou a dissonância aceita (a menos que seja realmente essencial para a personalidade da outra). É impossível que duas pessoas concordem em tudo! Comunique-se aberta e honestamente sobre quaisquer mal-entendidos ou dificuldades que possam surgir. Ouça reciprocamente e esteja aberto a concessões e compreensão.
  3. Aceitar algumas diferenças de opinião: seria prudente considerar essas diferenças de perto antes do casamento, pois elas não desaparecerão. Se as áreas de discordância são muito numerosas, esse número deve ser interpretado como um aviso de que uma relação duradoura pode ser arriscada sem o apoio de ajuda externa e muita boa vontade e desejo de ambos os lados de mudar. Concordem no que podem discordar! Respeite as diferenças uns dos outros e não tente forçar o outro a mudar suas crenças. Comemore as diferenças um do outro e aprecie as perspectivas únicas que cada um de vocês traz para o relacionamento.
  4. Entenda as incógnitas culturais: é cada vez mais conhecido que as dificuldades de relacionamento interpretadas como interpessoais são muitas vezes baseadas em desafios interculturais. Se possível, medidas práticas devem ser tomadas para desenvolver inteligência cultural, como uma visita à casa e ao país do outro para poder vivenciar a cultura e subcultura, são altamente recomendadas antes de se comprometerem, a fim de descobrir novos aspectos uns dos outros e da família. Conseguir visualizar a família do outro será de grande ajuda, especialmente se esta família mora longe. Vale lembrar também que ao retornar às próprias famílias e países, há uma tendência natural de retornar às formas anteriores de pensamento e comportamento. Estar ciente de algumas dessas “normas”, antecipadamente, será uma vantagem se houver ocasião para viver no país do outro. Seria vantajoso ter pelo menos um passaporte compartilhado.
  5. Experiencia Cultural: Geralmente, aqueles que nunca viveram em outra cultura não têm consciência suficiente do que sua própria cultura pressupõe ou como usa suas prioridades na avaliação de uma situação. De fato, uma das atrações de um casamento intercultural é o desconhecido. Saber quem somos e como nossa vida foi formada é útil para podermos nos entregar ao outro como aquele que pode simpatizar melhor. Essa falta de conhecimento cultural também pode mascarar uma imaturidade pessoal. Se já temos bastante dificuldade em cuidar de nossa própria vida, pode ser um desafio apoiarmos um cônjuge. Será que o conceito bíblico de casamento é realmente bem compreendido por ambos? A maturidade espiritual e pessoal andam de mãos dadas na criação de um casamento sólido.
  6. Seja paciente e compreensivo um com o outro enquanto ambos se ajustam à nova dinâmica do relacionamento. Incentivem-se mutuamente a buscar seus próprios interesses e celebrem os sucessos uns dos outros. Não se esqueça de se divertirem juntos também – o riso é sempre uma ótima maneira de construir uma conexão forte. Eu não posso ser um bom par, se sou incapaz de ser um bom impar. Para colocar de outra forma, tanto a esquerda quanto a direita são necessárias.

Acima de tudo, tenha em mente o amor profundo, o perdão e a vontade de fazer sacrifícios que criarão a atmosfera fértil necessária para criar e manter um casamento intercultural saudável. O exemplo supremo dessas qualidades é encarnado pelo próprio Cristo.

6 dicas para um casamento intercultural saudavel

Wania Silva Honman –

wania.honman@gmail.com
Sugestão de leitura: *“Nosso Amor, Nossos mundos” 2022, Editora Descoberta disponível pelo CIM Brasil – cimbrasil@amtb.org.br

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