
A Correção do Senhor nos Aperfeiçoa para a Santidade
Encorajo você, a antes de ler esse texto, a ler cuidadosamente o capitulo 11 e 12 de Hebreus.
Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Hebreus 12:1-2.
O capítulo 11 de Hebreus nos faz lembrar uma lista de homens e mulheres que viveram pela fé, obedeceram, mesmo enfrentando todas as incertezas (Abraão), impossibilidades humanas (Sara), oposições e risco (v.36-37), mesmo sem verem a promessa do Salvador. Eles creram, sem contemplarem o Cristo encarnado.
Como é maravilhoso ler esse capítulo que relata sobre as lutas e vitórias daqueles que viveram firmados na esperança da vinda do Messias. Hoje não vivemos mais pela esperança da vinda do Messias; vivemos pela promessa cumprida em Jesus Cristo e é Nele que devemos manter os nossos olhos fixos (Hebreus 12:2), pois Ele venceu e um dia retornará para nos buscar.
Quando nos sentimos cansadas na jornada transcultural, quando a corrida da fé parece longa e difícil, devemos olhar para a cruz, onde Jesus pagou o preço por nossos pecados, ressuscitou e prometeu que estaria conosco todos os dias (João 16:33). Jesus, sendo Deus, deixou Sua glória, tornou-se carne (João 1:14), sofreu neste mundo, suportou a cruz e venceu a morte sem jamais pecar (2 Coríntios 5:21). Ele suportou tudo por amor a nós, para que, por meio dEle, e não pelas nossas forças, também consigamos vencer as batalhas da vida.
Todavia, é importante entendermos que existe uma corrida na nossa jornada de fé que precisa ser vencida. Sim, a corrida da fé é difícil, como nos fala o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:24:
“Vocês não sabem que, de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre.”

E essa coroa nos será entregue no grande dia da volta do Senhor, para todos os que perseveraram na fé. Há uma batalha diária entre a carne e o Espírito (Gálatas 5:16-17). Todos os dias enfrentamos o nosso coração, que quer pensar, agir e existir de acordo com os desejos da carne, mas o amor de Cristo deve nos constranger, nos impulsionar e nos fortalecer a continuar, sendo guiados e sustentados pelo Espírito Santo que habita em nós (2 Coríntios 5:14).
Olhar para a cruz de Cristo nos restabelece as forças. Precisamos nos lembrar todos os dias da graça de Deus e da nossa identidade nEle. Saber que Jesus já venceu a morte e nos deu a vitória nos leva a ter força para prosseguir na caminhada cristã, mesmo em meio às lutas e adversidades.
É bom também entendermos que, na caminhada cristã, alguns são chamados para o martírio, como vemos nos primeiros cristãos e na Igreja perseguida ainda hoje, como lemos em Apocalipse 6:9-11:
“Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.”
Contudo, a maioria dos cristãos vive em contextos mais confortáveis, sem muita perseguição, mas ainda assim travamos lutas diariamente. A batalha interna entre espírito e carne — o combate contra o pecado, a preguiça espiritual, os desejos da carne e os padrões do mundo — é constante (Romanos 12:2).
Deus, em Seu infinito amor, usa a disciplina para nos corrigir e trazer de volta ao caminho da verdade (Hebreus 12:5-6; Provérbios 3:11-12). A luta espiritual é uma ferramenta de Deus para que perseveremos em santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Hebreus 12:10b diz: “Mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade.”
C.S. Lewis diz em Cristianismo Puro e Simples:
“Deus não quer nos deixar confortáveis, mas quer nos tornar santos, e para isso Ele usa a disciplina. Entretanto, quando Deus nos corrige, não é para nos destruir, mas para nos fazer capazes de suportar o peso da glória que Ele pretende nos dar.”

O capítulo 12 nos ensina como lutar e vencer nessa jornada e a suportar com gratidão a correção do Senhor, pois, como nos diz o autor de Hebreus 12:6:
“Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.”
E o próprio autor nos responde o porquê: Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade (Hebreus 12:10b).
O autor de Hebreus continua nos mostrando como podemos não desprezar a correção do Senhor e sair fortalecidas:
- “Fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. Façam caminhos retos para os seus pés.” (Hebreus 12:12-13)
Deus nos chama a levantar, recomeçar e prosseguir. A cada situação difícil que enfrentamos, precisamos perguntar ao Senhor o que Ele quer nos ensinar com isso. Precisamos pedir ao Espírito Santo que sonde nosso coração, revele caminhos tortuosos e nos conduza ao caminho da justiça.
Nessa corrida de fé, precisamos buscar caminhos retos, onde o Senhor seja aquele que nos levanta, sustenta e faz prosseguir. Lembrando que o final da nossa luta aqui na terra será naquele glorioso dia, quando veremos Jesus voltando para buscar Sua igreja. Ele enxugará dos olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, tristeza, choro ou dor, pois a antiga ordem já passou (Apocalipse 21:4).
Se as nossas lutas não nos fazem crescer e amadurecer espiritualmente, precisamos pedir ao Senhor que nos mostre suas verdades. Paulo nos adverte em Filipenses 2 sobre desenvolver nossa salvação em temor e tremor; no versículo 16 nos diz:
“Preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente.”
Ele nos adverte também em 2 Coríntios 4:17-18:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.”
- “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos.” (Hebreus 12:14)
Somos chamadas a buscar a paz e a viver em santidade, separadas para Deus (1 Pedro 1:15-16: “Sede santos, porque eu sou santo”). É um esforço intencional de reconciliação, humildade e perdão.
A vida transcultural é cheia de desafios e enfrentamentos do que é diferente, estranho e difícil, seja com situações ou pessoas. Precisamos entender que o Senhor não quer apenas consertar nosso comportamento, mas formar em nós um caráter que caminhe em direção à estatura do varão perfeito, Jesus.
A paz que excede todo entendimento não significa ausência de problemas, conflitos ou lutas internas, mas a certeza de termos um Deus que governa tudo, do universo aos pequenos detalhes da nossa vida cotidiana, moldando-nos à Sua vontade.

- “Cuidem para que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos.” (Hebreus 12:15)
Devemos vigiar nossos corações, que nos enganam constantemente, para não resistirmos à correção do Senhor. Precisamos realinhar a rota, perdoar e não permitir que a amargura crie raízes em nossa vida.
A disciplina do Senhor é uma oportunidade de crescimento. O povo de Israel temeu ao ouvir a voz de Deus no monte Sinai, tremendo diante de Sua santidade, mas não mudou de direção (Êxodo 20:18-19). Ainda assim, muitos morreram no deserto sem ver a terra prometida, pois permitiram que os desejos do coração os fizessem murmurar contra Deus (Números 32:13; Josué 5:6).
O capítulo 12 termina contrastando o medo do monte Sinai com a graça de Sião. Pela obra de Cristo, nosso Mediador da nova aliança (Hebreus 12:24), temos acesso ao Pai, chegamos ao Monte Sião e fazemos parte da Igreja de Jesus, o Reino inabalável (Hebreus 12:22-23).
Por isso, precisamos ter cuidado (Hebreus 12:25). Se aqueles que ouviram da promessa foram responsáveis, quanto mais nós, que ouvimos o próprio Filho, Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne (João 1:1-2, 14).
“Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos com a vida que Deus tem nos dado e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é fogo consumidor.” (Hebreus 12:28-29)
Que Deus nos ajude na nossa caminhada transcultural, a crescer em fé, graça e conhecimento dEle, para que possamos alcançar a coroa que nos foi garantida em Cristo Jesus, nosso Salvador.
Perguntas confrontadoras para o crescimento em santidade:
- Tenho olhado firmemente para Jesus em minha jornada transcultural?
- Há áreas em minha vida em que o Senhor está usando a correção para me trazer mais perto do caráter do meu Mestre?
- Tenho fortalecido minhas mãos e joelhos vacilantes, prosseguindo na fé mesmo nas dificuldades diárias?
- Há alguma raiz de amargura ou conformidade com o mundo que preciso tratar em minha vida para viver em santidade?
.Leia outras devocionais relacionadas à vida multicultural no nosso Blog CMM. Fique por dentro das novidades do CMM seguindo nossa página no Instagram
Evento CMM



