O Que Devemos Considerar ao Planejar?

o que devemos considerar ao planejar

“Não a minha vontade, mas a tua”

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.” — Mateus 26:42

Nessa época de fim de ano, normalmente revemos o ano que se finda, avaliamos as metas cumpridas, e já começamos a planejar o novo ano. Fazemos isso quase sem perceber: olhamos para trás, tentamos medir o que funcionou, anotamos o que queremos mudar e nos enchemos de ideias para o que vem pela frente. Planejar é bom, é saudável, e faz parte da vida e o próprio Jesus em uma de suas parabolas, em Lucas 14:28-30, nos ensina que quem deseja construir uma torre deve primeiro sentar, calcular os custos e verificar se tem recursos para terminar.
Quando olhamos para a trajetória da vida de Jesus, desde o nascimento até a sua ressurreição, vemos o plano de Deus se cumprindo, na promessa feita no Eden, (Genesis 3:15) de que viria aquele que esmagaria a cabeça da serpente, para nos trazer redenção. É maravilhoso vermos os planos do nosso Deus se cumprindo integralmente, pois Ele promete e cumpre. E para esse plano se cumprir, o da nossa redenção em Cristo, o próprio Deus se fez carne e habitou entre nós. Foi um homem de dores (Isaias 53:3), mas em todo o tempo foi obediente até a morte e morte de Cruz (Filipenses 2:8). E é no Getsêmani que temos o relato de uma das orações que considero mais humana de Jesus e que nos leva a uma reflexão maior sobre a luta que travamos com relação a nossa vontade e a vontade de Pai.
No momento mais difícil da sua vida terrena, Jesus ora:
“Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.”

planejamento

No Getsêmani, Jesus enfrenta a noite mais sombria da Sua vida. Em Mateus 26:38 Jesus diz aos seus discípulos assim: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal”. Como Deus, ele sabia dos espinhos, dos açoites, da morte, mas também sabia da vitória que isso teria sobre a morte eterna, proveniente do pecado humano. Mas como homem, mesmo que homem perfeito, sem pecado, ele já sentia em seu corpo e alma o peso do sofrimento que está diante Dele. Ele sabia o que estava por vir — solidão, dor, traição, cruz e morte.
E, embora fosse Deus, Ele também sentiu, como nós, o peso humano da angústia.
A Bíblia diz que Ele suou gotas de sangue, tamanha era a sua angustia espiritual e emocional lutando para cumprir a vontade do Pai, mostrando sua total submissão a agenda do Pai. É bom lermos novamente esse momento de Jesus, pois ele nos mostra que Jesus não deixou de sentir, mas também não deixou de obedecer.

Essa oração de Jesus dita no verso 39 e repetida no verso 42 de Mateus 26 : “não se faça a minha vontade, mas a tua”, nos confronta especialmente quando pensamos nos nossos planos diários ou para o próximo ano. Planejamos o que queremos alcançar, mudar, fazer, conquistar. Mas a pergunta mais importante nem sempre é:
“O que eu quero para hoje ou para o próximo ano?” A pergunta que importa diante de Deus é:
“O que o Senhor quer para mim hoje e no próximo ano?”

Submentendo ao que já tem tudo planejado

E é bom que entendamos que a vontade de Deus não acompanha a nossa lista, os nossos desejos egoístas revestidos de “estou fazendo para Deus”. Às vezes Ele nos conduz por caminhos que não estavam no nosso roteiro. Outras vezes fecha portas que considerávamos essenciais, e abre outras que nunca pedimos. E isso dói, confunde e exige fé.

Contudo a oração de Jesus nos ensina que a verdadeira maturidade espiritual não está apenas em fazer planos COM Deus, e sim em nos submetermos aos PLANOS DE DEUS, que podem nos levar por situações que não entendemos, aceitamos e esperamos, mas que se tornam parte da nossa transformação para refletirmos a estatura do varão perfeito que é Jesus.
A vontade do Pai não nos protege do sofrimento e desafios, mas sempre nos conduz ao propósito maior que é nos moldar para que possamos fazer o nome dEle conhecido em toda terra. E para isso precisamos ter essa certeza da soberania de Deus sobre TODAS as coisas.

E foi ali, no momento de maior vulnerabilidade, que Jesus abre o coração diante do Pai: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice.” Mas logo se entrega a vontade soberana do Pai: “Contudo, não a minha vontade, mas a tua.”

Jesus faz uma oração com confiança profunda, nascida em lágrimas de sangue.
Uma submissão que não elimina o sofrimento e a a dor, mas afirma: o Pai sabe o caminho. Jesus não abraçou a cruz porque era fácil, mas porque era a vontade do Pai. Ele obedece em meio ao medo, a dor, a angustia e essa obediência gerou vida eterna para todos nós.

Nós também passamos por lutas que surgem na nossa caminhada de fé, meio da missão, e as vezes nos perguntamos: Pra que planejamos tanto? Planejamos o campo, a cultura, o idioma, o ministério, a rotina da família. Planejamos como seria a adaptação das crianças, o discipulado, até mesmo os resultados que queremos.

Mas, no meio do caminho, as coisas mudam, são documentos que atrasam ou são negados, portas que se fecham, mudanças repentinas no ministério, despedidas inesperadas, crises politicas no país, ajustes inesperados na familia, doenças que chegam e provocam mudanças radicais, necessidades emocionais que surgem, e realidades que não previmos. E essas mudanças causam frustração, cansaço e até dúvidas, e a sensação de recomeçar do zero mais vezes do que o nosso coração gostaria. E nesses momentos a oração sincera que brota é:

“Pai, eu não quero esse cálice… não era assim que eu tinha planejado.”

Mas é justamente nesses momentos, onde o planejamento humano é mudado pelo divino que Deus nos chama a repetir a oração de Jesus: “não a minha vontade, mas a Tua”.

Uma mudança de rota necessária

Lembra da história de Jó ?(recomendo que você releia esse livro). O plano dele com certeza não era ver sua vida dar um giro de 180º, se encher de choro de angustia, lamento, abandono e dor (Jó 16: 16). Mas é no meio desse sofrimento que Jó tem um dialogo com Deus, onde ele abriu o coração diante daquele que tinha todas as respostas (Jó 38 – 41), e no final faz essa declaração tão linda: Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza”. Jó 42:5,6.

Precisamos reconhecer a cada dia que é Deus quem conduz a nossa vida, a missão e que Ele vê aquilo que não vemos no meio das reviravoltas da vida.
Precisamos confiar que, mesmo quando os nossos planos mudam, Deus continua no controle do Plano maior.
Que os caminhos inesperados também fazem parte da história que Ele está escrevendo em nós e através de nós, forjando o nosso caracter à semelhança de Jesus Cristo, para que possamos dizer como o apostolo Paulo, olhe para mim e vocês verão a Cristo.

Por isso nesse fim de ano,

Antes de concluir seu planejamento para o novo ano, faça o mesmo movimento que Jesus fez:
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1. Apresente seus desejos a Deus — com sinceridade.
2. Reconheça seus limites — como Jesus reconheceu.
3. Submeta tudo à vontade do Pai — com confiança.
4. E mesmo em meio a dor obedeça – com gratidão.

Tire alguns minutos em silêncio e ore:

“Senhor, aqui estão os meus planos. Mas acima de tudo, que se faça a Tua vontade e não a minha.”

Depois, peça a graça de Deus para viver essa oração de forma prática — com flexibilidade, confiança e fé, mesmo quando Ele mudar o roteiro.

Lute para cumprir a vontade do Pai, pois sua vida e a missão não depende apenas do que você planeja, mas de como você responde às mudanças que Deus permite. E obedecer nesses ajustes faz parte também do chamado.
E que Deus nos ajude a confiar cegamente nEle quando os planos mudam e nos ajude a lutar diariamente para cumprir a vontade dEle.

Gleici Balaniuc

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Gleici Balaniuc

Gleici Balaniuc - casada, mulher multicultural viveu entre culturas por 14 anos no continente africano. Nutricionista, Mestre em Ciência dos Alimentos, Especialista em Nutrição Clinica e Fitoterapia aplicada a Nutrição. Pós graduação em Aconselhamento Biblico, hoje trabalha na agência Pioneiros Brasil auxiliando na mobilização e no cuidado missionário.

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