
Como viver a dor da perda no meio da transição e da vida entre culturas.
Estando na África e prestes a iniciar a transição para nossa saída do campo, recebi uma ligação que seria uma das mais difíceis e inesperadas de toda a minha caminhada multicultural.
Eu já tinha tudo planejado para nossa partida: as despedidas de cada programa, separar o que levaríamos, vender os móveis, nos despedir dos amigos, ajudar nosso filho a se despedir… Enfim, no meio de todo esse caos — que toda mulher multicultural conhece muito bem — recebo a ligação da minha irmã me avisando que nossa mãe estava muito doente e que eu precisava vê-la, pois talvez não tivéssemos mais essa oportunidade.
Foram tantos os pensamentos que passaram pela minha mente… lembranças, dor… uma avalanche de sentimentos confusos e intensos.
Já faz mais de 25 anos que estou longe da casa dos meus pais, então a ideia de não me despedir fisicamente da minha mãe não passava pela minha cabeça. E foi assim que, de alguma forma, Deus — que conhece o nosso coração — providenciou os recursos para que eu pudesse viajar.

Sem dúvida, foi a viagem mais longa, exaustiva e solitária que já fiz em toda a minha vida.
Atrás ficaram sete anos na África. Sem despedidas. Sem conseguir concluir tudo o que eu havia planejado. Deixei meu marido e meu filho com muitas responsabilidades e me vi caminhando por um vale de sombra e morte, com o coração cheio de inquietude, nostalgia e temor pelo que estava por vir.
Minha mãe passou por muitos processos e, em todos eles, Deus me deu o privilégio de honrá-la, acompanhá-la, cuidar dela, orar juntas. E, mesmo em sua condição, ela continuou me ensinando sobre o amor pela casa de Deus, da qual ela nunca queria se afastar.
Foram quase quatro meses extremamente cansativos, mas durante todo o tempo vi a mão de Deus me sustentando e trazendo aquela paz que excede todo entendimento.
Deus me trouxe à memória Suas palavras de esperança: que aqueles que O conhecem um dia voltarão a se reencontrar. Já faz um ano desde que minha mãe foi para os braços do Pai, e hoje posso dizer com convicção que, mesmo diante de tamanha dor, o Deus de toda consolação sustentou a minha vida e encheu meu coração de esperança.
“Ao passarem pelo vale de lágrimas, fazem dele um lugar de fontes” (Salmos 84:6).

Lidar com o luto quando estamos vivendo longe da pátria é uma experiência que mistura saudade, dor e um tipo diferente de solidão. Quem vive entre culturas sabe que nem sempre é possível estar presente nos momentos mais importantes — e mais difíceis — da vida. Perder alguém de longe, significa não poder abraçar, não poder segurar a mão, não poder se despedir da maneira como desejamos. É viver a dor distante, tentando seguir a rotina enquanto por dentro está doendo. Mas mesmo nesse cenário tão desafiador, Deus se faz presente. Ele nos encontra onde estamos, nos fala ao coração, e nos consola como só Ele sabe fazer. E é aí que a fé vira ainda mais real — porque mesmo longe, seguimos sustentadas por essa esperança que nos lembra que um dia estaremos reunidos com Ele.
De toda essa experiência, aprendi que:
- Ninguém conhece melhor os desejos do nosso coração do que o nosso Deus.
- Mesmo sendo mulheres multiculturais, chamadas para servir, continuamos sendo filhas e irmãs.
- A paz que excede todo entendimento é real, e ela vem acompanhada do consolo do Espírito Santo durante todo o processo.
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