Uma Mãe em Missão Transcultural

Desde pequena, quando me perguntavam “o que você quer ser quando crescer?”, eu respondia “Quero ser mãe!” Mas, quando ouvi um pastor dizer que “ventre santo não pode povoar o inferno”, fiquei assustada com a possibilidade de ter filhos incrédulos do Evangelho, que fossem para o inferno. Por isso, aos 14 anos, e com muito choro, eu entreguei a minha maternidade ao Senhor. A primeira vez que eu e meu futuro marido, Rawderson Rangel, saímos para tomar um sorvete, conversamos sobre educação de filhos e lhe disse que eu poderia ser estéril, pois havia pedido a Deus para somente gerar filhos que fossem para Ele, caso contrário, preferia ser estéril. Nossos filhos, Pedro Henrique e Anne, nasceram para povoar o Céu, para viverem para o Senhor Deus. 

Confesso que quando saímos para o campo missionário, um dos meus maiores medos era imaginar que missões poderia “trazer prejuízos” aos meus filhos. Sempre pedi ao Senhor que os considerasse na hora de decidir sobre qual campo missionário deveríamos ir, por exemplo. Hoje, passados dez anos no campo, posso garantir que minha oração tem sido atendida! Além deles amarem a Deus e continuarem amando missões, o Senhor da Ceara também os chamou para serem missionários. Eles também aceitaram o desafio de fazer missões e estão se preparando para isso. Deus seja louvado!

Antes de sairmos do Brasil, minha filha fez uma oração: “Senhor, eu estou deixando os meus familiares, a minha casa, a minha igreja, a minha escola, os meus amigos…, mas pelo Senhor eu deixaria muito mais.” Ela tinha apenas 9 anos e confesso que nunca havia escutado algo assim. Repeti várias vezes aquelas palavras pra mim mesma, orando ao Senhor, com a intenção de aprender a “deixar” o que fosse necessário para obedecer ao Seu chamado. Com o tempo, vamos aprendendo a “deixar” os nossos planos, “deixar” os nossos filhos irem estudar longe de nós, “deixar” o Senhor conduzir a nossa história…

Mesmo diante dos nossos medos, temos o nosso Deus Missionário conosco, que nos “reveste” dEle mesmo com poder, amor e equilíbrio (II Tm.1.7). Ele nos envia, mas também vem conosco (Mt.28.19,20). Que privilégio participarmos da Sua obra e termos a certeza de que não estaremos sozinhos. Ele nos garante a Sua companhia. Quando? Todos os dias, cada dia. Enquanto estamos ocupados com a Obra do Senhor, podemos desfrutar da Sua presença.

Minha família passou pelo ciclone na cidade da Beira, Moçambique, em 2019. Foi uma situação diferente de tudo o que já havíamos vivido. Até mesmo o terremoto de 8.3 que passamos no Chile não foi tão assustador. Fizemos o possível para nos proteger, mas sabíamos que, se o Senhor não estivesse conosco, nada seria suficiente. A tempestade se estendeu por quase 12 horas com ventos que chegaram a 220km/h. Depois do ciclone, muita coisa mudou para nossa família, mas Deus continuou no controle de tudo.  A frase “o lugar mais seguro no mundo é estar no centro da vontade de Deus” é a mais pura verdade! Principalmente porque Ele está conosco. Não somos abandonados no campo missionário. O nosso Deus cuida de nós, mesmo em uma realidade diferente pelas condições climáticas e uma sociedade grandemente influenciada por crenças religiosas… Como mulher, missionária, casada e com filhos, minha realidade é “recheada” de desafios e também de bênçãos: O desafio do auto cuidado e a bênção de ser cuidada; O desafio de manter a família unida e a bênção de sermos uma equipe; O desafio de estar longe de parentes, amigos e a bênção de manter os relacionamentos, mesmo que virtualmente; O desafio de contextualizar missões e a bênção de fazer parte do processo ensino-aprendizagem; O desafio de abençoar e a bênção de sermos abençoados; O desafio de viver o poder de transformar e a bênção de vermos vidas transformadas pelo poderoso Evangelho de Jesus Cristo.

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