Um Presente Inesperado

“Porque um menino vos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9.6)

A história da redenção é marcada por expectativa. Desde a antiga promessa feita no Éden (Gn 3.15), gerações aguardaram a chegada do Messias. Em cada cultura, em cada época, diferentes imagens foram criadas sobre quem Ele seria e como viria. Alguns imaginavam um guerreiro poderoso, pronto para derrubar impérios. Outros idealizaram um rei revestido de esplendor, cercado de riquezas e grandeza. Assim como tantos hoje, projetam sobre Deus seus desejos, carências e fantasias: um deus moldado à imagem humana. Nada mais distante da verdade e nada mais perturbador.

Mas Deus nos surpreende. Ele sempre nos surpreende.

O presente que o Pai enviou ao mundo não veio embrulhado em um laço vermelho chique, mas em humildade. Não chegou montado em cavalos, mas deitado numa manjedoura. Não vestiu armadura, mas panos simples. O Salvador não veio combater com espada nem oferecer soluções fáceis. Ele veio oferecer algo muito maior: paz aos corações inquietos e reconciliação com o Soberano  por meio do Seu próprio sangue, o mais precioso presente de cura e salvação.

Isaías não anuncia apenas o nascimento de um menino. Ele proclama: “um filho se nos deu.”  O presente é o Filho. O presente é a Vida. E por meio dele, conhecemos o amor na sua forma mais pura, profunda e transformadora.

Mas, quando o coração está cheio, não há espaço para o presente. Receber esse presente, porém, não é simples para todos. Aceitar o Filho significa reconhecer nossa necessidade. Significa admitir vulnerabilidade, pecado, limitações. E muitas vezes, especialmente nós mulheres, vivendo entre culturas, carregando expectativas familiares, pressões sociais e tantas responsabilidades, aprendemos a ser fortes até demais. Mas quem ocupa os braços com orgulho, autossuficiência ou controle… não tem como segurar o presente da graça.

A manjedoura nos ensina uma disciplina espiritual: o esvaziamento.

Esvaziar as mãos do que consideramos essencial.
 Esvaziar a mente do que acreditamos que nos define.
 Esvaziar o coração das ilusões que carregamos sobre nós mesmas e sobre Deus.

Só então podemos acolher o presente perfeito, o amor que não falha, que não pesa, que não exige performance, que nos veste com dignidade e verdade. Um amor que tem o nosso tamanho, que cabe na nossa história, que alcança cada cultura, cada país e cada jornada.

Viver entre culturas é também viver em constante adaptação e entrega. Em meio às mudanças, Deus continua sendo o presente firme e eterno. Ele não muda. Ele não falha. Ele não se perde nos caminhos da vida.E a mensagem da manjedoura ecoa para todas nós.

Receba.
Descanse.
Permita-se ser presenteada.

Oração

Deus altíssimo, neste dia quero te receber mais profundamente.
Esvazia minhas mãos e meu coração de tudo o que ocupa o lugar que é Teu.
Que o teu favor, tua graça e teu amor superabundem em mim.

Sê o meu bem mais precioso.
Reveste-me com teu amor: um amor que me alcança onde estou, em qualquer cultura e contexto. Assim como Tu te deste a mim, também me entrego a Ti. Quero pertencer-Te por completo. Ensina-me a descansar em Ti, a viver no Teu amor e a desfrutar da Tua presença agora e eternamente. Em nome de Jesus, amém.

Jade Simões

Brasileira, natural do Ceará, é Obreira multicultural, escritora e professora. Apaixonada pela feminilidade, tem se dedicado ao ensino e discipulado de moças e mulheres. É casada com Paulo Diego, mãe do Benjamin e da Abigail. A família está há 9 anos na África ocidental.

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