O bebê chegou! E agora?

Gravidez no  Campo Missionário!

Já imaginou tudo que fazemos para preparar a chegada do primeiro filho? Foto da ecografia para o anúncio da gravidez, chá de fraldas (agora chá de revelação), compra do enxoval, lembrancinha para o hospital,  enfeite para a porta da maternidade e muitos outros itens necessários para a chegada do primogênito. Tudo isso faz parte do que fazemos para eternizar o momento.

Gravidez no Campo Missionário

 O primeiro bebê vem acompanhado de um sentimento de mistério e do  desconhecido. A mamãe primeiríssima  passa muito tempo sonhando como vai ser a chegada do bebê e seus primeiros dias de vida. Pensamentos estes que muitas vezes são assaltados pela dúvida e a insegurança. É então que ela percebe que necessita algo mais além daquilo que  já conseguiu organizar para a chegada o bebê… a presença da vovó. Mas, o que fazer quando ela se encontra do outro lado do oceano?

Quero compartilhar um pouco da minha experiência pessoal de ter nosso primogênito no campo transcultural longe da sabedoria e cuidado da vovó e de como Deus pôde suprir de maneira tão graciosa esta necessidade.

Nosso primeiro filho, David, nasceu em 2003 aqui no Senegal. Ao se aproximar os dias de sua chegada, fui tomada por um sentimento de tristeza por não contar com minha mãe ou minhas irmãs por perto para me auxiliarem com os primeiros cuidados do bebê ou apenas para paparicá-lo um pouco. Eu me sentia insegura, com medo e cheia de incertezas  de como seria cuidar de um filho em outra cultura, longe da minha família. E agora, qual minha atitude diante do meu desejo e necessidade neste momento tão especial da minha vida?

Colocar diante de Deus os meus sentimentos e emoções, confiando que Ele poderia cuidar de todos os detalhes da chegada do nosso filho, nesta terra distante, foi o que abriu meus olhos para visualizar um novo horizonte e perceber que Ele já tinha tudo preparado para suprir as minhas necessidades mais profundas.

Foi então quando pude ver que ao servir em terras distantes, com paciência, Deus nos dá também uma grande família de obreiros que caminham conosco.  Ela está formada de avôs e avós, tios e tias, irmãos e primos de diferentes culturas, denominações e organizações eclesiásticas.  Basta olharmos ao redor e vermos que estamos cercados de muitas pessoas que nos amam e desejam fazer parte deste momento precioso de nossas vidas. Então,  como gerenciar nossos sentimentos  e emoções diante de situações tão marcantes como a chegada do nosso primeiro filho no campo transcultural?

Em minha experiência pessoal, o que me ajudou a não sucumbir diante de minhas emoções e sentimentos foi primeiramente  buscar, na presença de Deus, o suprimento de minhas necessidades mais profundas. Logo, procurar estreitar nossos laços com a grande família missionária que está perto, cultivando com amor e respeito os relacionamentos. E também, estarmos abertos para ouvir os conselhos dos mais experientes e permitir que eles façam parte deste momento que tanto queremos eternizar.

Finalizo expressando minha gratidão à minha amiga Ana Cristina, que hoje descansa no Senhor, por ter nos acolhido em sua casa como uma verdadeira irmã no tempo do meu parto e nos primeiros dias da chegada do nosso filho.  Também minha gratidão aos missionários que faziam parte da nossa equipe de trabalho por ter acolhido nosso filho com tanto amor como verdadeiros tios. Não imaginam o quanto foram instrumento de Deus para suprir o que faltava…a minha família.

Daniela Cóndor

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