Gestão do Tempo: Por onde começar?

Uma jornada pelo tempo

Certo dia eu perguntei a um menino timorense a que horas ele ia para escola. Ele parou, olhou pela janela como que mostrando que a resposta estava lá fora e então me disse: “Sozinho você não vai. Quando todo mundo for, você também vai!” Eu ri pensando que alguém teria que saber a hora para liderar a andança, mas também entendi que a resposta era muito mais profunda que isso. O tempo no Timor-Leste tem a ver com relacionamentos, com o-quê-com-quem-fazemos, o quando, na verdade, é menos importante. Isto é, o quando começar é quando todos que vão participar chegarem.

Eu contei essa história para que você mulher multicultural entenda que o tempo é vivido na cultura, é expresso culturalmente e, dessa forma, o tempo como você vive no seu país, estado e família, não é igual ao que você aprende a viver no país onde está morando agora e ter essa sensibilidade é essencial para, eu não diria evitar, mas minimizar os danos do choque cultural nessa área.

Contudo, o tempo também tem um Senhor, o mesmo que eu e você temos, pois ele foi criado e como criatura, segue o caminho proposto a ele por seu Criador. Isso também nos ensina que o tempo é em relação à eternidade. Como assim? O que fazemos, como e o quando importa na medida em que somos orientadas pela eternidade e para a eternidade, guiadas pelo Eterno e com frutos que permanecem eternamente.

organizar agenda

E eu quero que você entenda que saber que sua vida como mulher multicultural é vivida numa perspectiva cultural, mas também divino-teológica vai influenciar diretamente a sua vida prática. Sim, sua agenda para o dia, semana, ano, sua agenda de vida. Vai dizer mais sobre o trabalho que você trabalha, o descanso que você descansa, o sucesso ou fracasso das suas realizações passam a ter uma nova referência.

Querida leitora, se até aqui esse texto apenas disse que algo precisa mudar, mas você ainda não encontrou a solução, na melhor das hipóteses você teve apenas um esboço do problema, não se preocupe, pois esse é o meu propósito. Pensar sobre o tempo, exige mais do que os 5 minutos que você está dedicando para ler esse texto, exige, pelo menos, seis semanas de mentoria sobre Gestão de Tempo e Multiculturalidade, que o CMM oferece com a orientação, aconselhamento e dedicação da mulher multicultural Jade Simões.

Por onde começar?

Eu acabei de encerrar essa mentoria e digo que não foi um passo à mais para organizar a agenda – embora também tenha me levado a isso -, mas foi um tempo de criar um coração sábio a fim de discernir o que é essencial antes de reordenar as prioridades.

Fico feliz de ter acesso às aulas por todo o ano, pois vou precisar pensar mais profundamente em várias partes desse curso. Desde identificar minhas dificuldades na gestão de tempo e se essa dificuldade tem uma origem cultural, teológica ou, simplesmente não estou considerando que eu sou humana. Pensar no tempo que eu realmente dedico ao que eu vim fazer aqui e se isso é suficiente, enquanto também analiso se as demandas mais importantes como família, saúde pessoal, vida devocional estão recebendo a devida atenção. Fazer isso enquanto ainda digiro a forma como a eternidade habita no tempo e no meu tempo, buscando ter olhos abertos para ver o eterno no meu ordinário.

E essa, querida mulher, nem será a parte mais desafiadora, porque como pecadoras portadoras de um coração centrado em nós, seremos desafiadas a trocar o lugar de “falsa senhora” de nosso tempo para mordomas, abraçando nossas limitações e dando graças por elas. Afinal, remir o tempo implica em reconhecer nossa limitação e cultivar a dependência de Deus, a fim de que toda a glória seja dEle e nunca nossa.

gestão de tempo - como começar

Sim querida leitora, organizar a vida não é apenas uma habilidade técnica, é uma disciplina espiritual que nos leva a perguntar todos os dias, isto é, nos dias em que a agenda corre no flow e nos dias em que tudo parece sair do controle, perguntar “Senhor, o que estás fazendo aqui?”

Por fim, o desafio será não organizar a agenda, mas viver de forma coerente com os valores que você carrega, isso talvez signifique a necessidade de moldar novas virtudes a fim de ser uma pessoa organizada, uma pessoa dependente, ou outra coisa. Como disse a Jade certo dia, “a ordem tem que vir de dentro pra fora, pois o eterno reflete o interior, logo, o que fazemos é influenciado pelo que está dentro de nós!”

Ficou com vontade de organizar a agenda? Inscreva-se para a próxima mentoria, posso dizer com sinceridade que não será tempo em vão, mas dará frutos eternos!

Tábata Mori é uma mulher multicultural brasileira, solteira, jornalista, morando no Timor-Leste onde publica livros, estimula a leitura e oferece treinamento para o crescimento integral da comunidade local.

EVENTO ONLINE

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O CMM – Confissões de uma Mulher Multicultural promove a II Semana do Cuidado da Mulher Multicultural, um evento online bilíngue (PT/ES) que acontecerá de 24 a 27 de março de 2026, das 9h30 às 11h30 (horário de Brasília). Serão quatro dias dedicados ao cuidado integral da mulher que vive e serve entre culturas, com palestras e painéis sobre identidade, pertencimento, liderança feminina e saúde espiritual, emocional e física.

Um espaço de acolhimento, aprendizado e encorajamento para mulheres que enfrentam os desafios da vida e do ministério multicultural. As transmissões serão ao vivo, com gravações disponíveis para as inscritas.

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