
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”
(Salmos 90:12)
Viver servindo entre culturas é viver entre despedidas. É aprender que o amor, muitas vezes, atravessa oceanos, fusos horários e silêncios. Mulheres que servem em contextos transculturais carregam no coração o peso da distância e a consciência de que cada encontro pode ser único. Para nós, o “até breve” nunca é garantido.
No campo, aprendemos a interceder de longe, a amar por mensagens, orações e palavras enviadas quando o corpo não pode estar presente. Ainda assim, quando a oportunidade do encontro surge, somos tentadas a adiar — tomadas pelas demandas do ministério, pelas urgências da obra, pelas múltiplas responsabilidades que carregamos como líderes, esposas, mães e servas.
A dor da perda nos ensina uma verdade silenciosa: nem todo reencontro acontece nesta terra. Algumas pessoas que caminhamos em oração serão curadas aqui, outras serão curadas na eternidade. E isso confronta nosso coração com a finitude da vida e com a necessidade de priorizar o essencial.
Como líderes, somos chamadas a cuidar de muitos, mas o Senhor também nos chama a cuidar dos vínculos que Ele nos confiou. O ativismo ministerial nunca pode substituir a presença amorosa. O Reino não se constrói apenas com agendas cheias, mas com corações disponíveis.
A sabedoria que o salmista pede não é sobre fazer mais, mas sobre viver melhor. Contar os dias é escolher amar hoje, abraçar quando há tempo, falar palavras que edifiquem enquanto há fôlego. É reconhecer que cada encontro no caminho multicultural é um presente sagrado.
Ao encerrarmos este ano e entrarmos em um novo tempo, que levemos conosco menos culpa e mais consciência, menos pressa e mais presença. Que o novo ano nos encontre sensíveis à voz de Deus, priorizando pessoas acima de projetos e amor acima de resultados. Porque tudo passa, inclusive os campos onde servimos — mas o amor permanece para sempre.
Oração

Senhor, ao iniciar um novo ano, entrego-Te meus caminhos, partidas e reencontros.
Ensina-me a contar meus dias com sabedoria, a priorizar o que é eterno e a amar com intencionalidade, mesmo em meio às demandas do campo. Guarda meu coração, cura minhas dores silenciosas e faz de mim um instrumento de paz, presença e amor onde quer que eu esteja. Amém.
Reflexão Pessoal
Quais relacionamentos Deus está me chamando a priorizar neste novo ano?
O que preciso ajustar para que o ministério não substitua a presença e o cuidado?
Como posso viver este novo ano com mais sabedoria, leveza e amor intencional?
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Ana Costa


