O propósito Divino da maternidade

“…Eis que a virgem conceberá e dará a luz a um filho e lhe chamará Emanuel”  (Is.7.14)

A maternidade tem sua origem muito antes do pecada e nela Deus cumpre seu plano perfeito determinado desde a criação. Ainda antes do pecado interromper a relação do homem e da mulher com seu Criador, disse-lhes Deus: “sede fecundos, multiplicai, enchei a terra e sujeitai-a;” (Gn.1.28).  O pecado não suspendeu o propósito divino da maternidade, mas alterou-a. As atribuições que Deus havia dado a Adão e Eva para cumprirem de forma santa foram afetadas pela maldição pronunciada pelo Senhor depois da queda.  George Knight diz: “O papel de ser frutífero basicamente é cumprido pela mulher quando ela dá à luz — Isso é uma bênção! Nesse papel que é singular à mulher, onde a feminilidade é expressa de uma forma ímpar, ela jamais vai se esquecer dos efeitos do pecado à medida que experimenta as dores de parto”  

Ainda mais que isso, a maternidade faria também parte do projeto de salvação de Deus para com seus escolhidos, e assim o Senhor faz o primeiro anúncio do Evangelho: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirá o calcanhar” (Gn.3.15). Após Adão e Eva serem expulsos do Jardim do Éden a maternidade, embora com dores devido a maldição, era um sinal do favor do Senhor, pois seria dessa forma que o Salvador viria ao encontro seu povo. Em Gn. 4. 1 diz: “Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu a luz a Caim, então disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor”.  A cada gestação a cada filho nascido, a esperança se renovava, assim as mães em Israel eram mulheres de esperança. 

“As mulheres judias esperavam por um messias. Elas ansiavam ser a mãe do Salvador. Elas tinham filhos na esperança de um messias. Elas criavam, alimentavam, ensinavam e abrigavam os seus filhos em antecipação. Antecipação de salvação. Esperança de uma vitória. Fé nas promessas de Deus.”

Essa esperança fora se renovando aos longos dos séculos até que um dia o anjo do Senhor visitou uma jovem virgem que vivia numa cidade da Galileia chamada Nazaré. A mensagem do anjo era clara: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” Lc.1.35. Maria, a receptora da mensagem entregou-se totalmente ao propósito divino e disse: “Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra” v.38 O que se seguiu na vida de Maria não está detalhadamente registrado nos Evangelhos, mas certamente ela sentiu as agonias de uma gravidez não planejada, sofreu com os rumores em torno de sua integridade moral, sentiu as mudanças do seu corpo, viu seus pés inchados, ficou cansada, passou noites mal dormidas, teve dores de parto. Mas a promessa se cumpriu e o Messias esperado conforme a profecia, chegou!

“Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.” Lc. 1.76-79

O tempo passou, os nossos dias distam cerca de dois mil anos da história da virgem de Nazaré, e aqui estamos nós, corpos doloridos carregando vidas, mãos ocupadas cuidando de vidas, dias preenchidos educando vidas, corações apertados projetando vidas para a eternidade.

“Mas estamos num momento diferente nesta história. Agora, já não somos mães em esperança. Já somos mães em vitória. Não criamos filhos para limpar um campo para plantio; criamos nossos filhos para trabalhar na colheita!”

Será que Deus precisa das mães?  Será que a maternidade ainda é parte do plano de Deus para nós mulheres? Precisaria Deus de mulheres frágeis e limitadas para cumprir seu plano na vida de bebês indefesos?  Em 1Tm 2.15 o Apóstolo Paulo diz que a mulher será “preservada através de sua missão de mãe” Nesta citação, é provável que o Apóstolo tenha em vista a maternidade como colaboração com a obra do Criador, de modo que, toda mãe é chamada a transmitir não somente a vida corporal e a educação respectiva, mas também a doutrina da fé, que estrutura o cristão. Ser mãe era uma das aspirações mais profundas da mulher judia e continua a ser um digno privilégio de uma mulher, pois uma boa mãe projeta vidas não apenas para o bem de sociedade, mas para a eternidade. 

Talvez sejamos nós que precisemos da maternidade como plano de Deus para nossas vidas.  Deus usou uma mulher para concretizar seu plano de redenção do seu povo, mas foi esta mulher que precisou do plano de Deus em sua vida para que pudesse receber tão grande salvação: “A minha alma engradece ao Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador…” Lc.1.46,47. A maternidade nos redime, porque a vereda que conduz à salvação é sempre a da obediência às ordenanças de Deus; a maternidade nos humilha a ponto de reconhecermos a nossa incapacidade de tão sublime missão de educar, e diante disso só podemos nos render e dizer como Maria: “aqui está a serva do Senhor…” Lc.1.34. A maternidade nos fragiliza enquanto nos torna fortes e corajosas, prontas a enfrentar todos os desafios possíveis para que nossos filhos tenha em si a projeção da glória de Deus.  

Foi sendo mãe que conheci meus limites de força física e também, o quão forte posso ser; sendo mãe já fui às lagrimas muitas vezes, mas também já experimentei as maiores delícias dessa vida. Ainda muito mais que isso, é na experiência de ser mãe que a boa mão do Oleiro tem moldado meu caráter orgulhoso e tratado a minha incapacidade de suportar com paciência. Sendo mãe aprendi que as vulnerabilidades dos outros podem ser minhas também, por isso devo olhá-las com misericórdia e amor.  Deus não precisa de mim o quanto eu preciso dele em minha vivência materna, pois nela tenho sido aperfeiçoada em santidade ao Senhor.

Quando vejo a maternidade não como um dom de Deus para me fazer santa, mas sim como uma função com tarefas que ficam no meu caminho, estou deixando de ver um dos meios ordenados por Deus de crescimento espiritual em minha vida. Não apenas isso, mas estou deixando de desfrutar Deus”

Ser mãe não é uma tarefa fácil. A maternidade, sem dúvida envolve um problema real, desânimo real e trabalho árduo real. Dores, frustrações e angústias permeiam o terreno materno. Mas há um sentimento que nos move e nos mantém firmes na missão, é a certeza de que vale a pena!  Indubitavelmente, vale a pena por cada sorriso, por cada aprendizado por cada vitória de nossos filhos; vale a pena ver pequenas vidas alçarem seus próprios voos na direção do Senhor. Vale a pena ainda por saber que, enquanto cumpro minha missão de mãe o Senhor cumpre em mim o seu propósito me preparando para a eternidade; e muito mais ainda, vale a pena, pois, na minha obediência ao propósito de Deus Ele é glorificado e a sua glória é manifestada nesse mundo e a sua luz ilumina aos que jazem à sombra da morte.

“Tu, ó Sião, que anuncias boas-novas, sobe a um monte alto! Tu, que anuncias boas-novas a Jerusalém, ergue a tua voz fortemente; levanta-a, não temas e dize às cidades de Judá: Eis aí está o vosso Deus!” (Is  40.9)

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